segunda-feira, 15 de junho de 2009

CASO EMPRESARIAL: O Equilíbrio Emocional Do Líder

O equilíbrio psico-emocional está diretamente ligado ao sucesso profissional, especialmente dos profissionais que ocupam cargos de liderança. Isso ficou bem mais evidente após a introdução do termo Inteligência Emocional.

O equilíbrio psico-emocional está diretamente ligado ao sucesso profissional, especialmente dos profissionais que ocupam cargos de liderança. Isso ficou bem mais evidente após a introdução do termo “Inteligência Emocional”, que seria uma síntese da Inteligência Interpessoal (habilidade de entender outras pessoas, o que as motiva, como trabalham e como atuar cooperativamente com elas) e da Inteligência Intrapsíquica (entendimento do próprio eu com elevado grau de autopercepção e autoconhecimento). Nesse artigo, quero abordar o fato é que o controle das emoções não é fator essencial apenas para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo: é também essencial para alcançar a excelência em termos de comportamento gerencial.

Um líder emocionalmente equilibrado não reprime suas emoções. Ele aprende a administrá-las de modo a liberá-las na hora certa, com a pessoa certa e da forma mais adequada possível. Consegue se acalmar quando está nervoso, se automotiva e têm uma razoável percepção de si e dos outros. Pode-se dizer que se trata de um profissional protegido pelo otimismo e pela esperança, com positivas expectativas de que as coisas darão certo, apesar dos reveses e das dificuldades. São atitudes como essas que o impede de se tornar apático, desesperançoso ou deprimido, sendo facilmente reconhecido no perfil dos melhores profissionais da sociedade contemporânea.

Alguns gerentes são muito inteligentes e bem equilibrados emocionalmente. Outros não conseguem manter esse equilíbrio, valendo-se de suas capacidades intelectuais na gestão de suas equipes, via de regra acarretando constantes entraves nos relacionamentos entre os membros dessas equipes, com desgastes no clima organizacional e perdas na produtividade. O grande desafio, portanto, é entender como se complementam o equilíbrio emocional e a capacidade intelectual dos gerentes. A inteligência não é garantia de bom desempenho se a pessoa não for preparado para manter o seu equilíbrio psico-emocional. A competência global denota um redirecionamento da agressividade para a ação produtiva, aproveitando oportunidades e desafios, e dando, também, aos que o cercam, oportunidades de crescer e desenvolver as próprias habilidades. O raciocínio pode fazer com que gerentes sejam admitidos, mas é o seu equilíbrio emocional o responsável por suas promoções e encarreiramento.

Pesquisas indicam que os gerentes com alto quociente de inteligência, mas com baixo ou modesto equilíbrio emocional, tendem a ser altamente efetivos em domínios racionais, mas correm o risco de tratar suas equipes de modo inadequado, sendo insensíveis, arrogantes e inaptos em seus relacionamentos. Os gerentes superequilibrados e de capacidade intelectual mediana, tendem a ser leais e confiáveis, com integridade e empatia, persistentes, conscientes e queridos pelas seus subordinados (o melhor, entretanto, seria ter altos níveis desses atributos). As pesquisas indicam, também, que o homem de alto nível de inteligência é ambicioso e produtivo, previsível, inibido e com grandes possibilidades de ser emocionalmente frio. Em contraste, os homens que mantém o controle emocional são socialmente equilibrados, comunicativos e animados, não alimentam receios ou preocupações; eles têm uma notável capacidade de assumir responsabilidades e terem uma visão ética, revelando-se solidários e atenciosos em seus relacionamentos. Por sua vez, as mulheres muito inteligentes são fluentes na expressão de suas idéias, valorizam o intelecto e o senso estético, mas tendem a ser introspectivas, inclinadas à ansiedade e à culpa, raramente tendo explosões de raiva: são comedidas nesse aspecto. As mulheres bem equilibradas emocionalmente, ao contrário, sentem-se positivas em relação a si mesmas; como os homens, são comunicativas e gregárias e adaptam-se bem à tensão; sentem-se suficientemente à vontade consigo mesmas para serem espontâneas e raramente sentem ansiedade ou culpa.

Com isso, quero dizer que o equilíbrio emocional não é algo fácil de ser obtido nem é uma questão genética: é algo que se aprende e que pode ser melhorado por meio de treino, esforço e persistência. Para tanto, o líder têm de identificar exatamente o que quer alcançar, e tornar-se diligente a ponto de identificar as situações nas quais costuma cair em velhos hábitos e associá-las a uma reação produtiva. Ao realizar esse tipo de exercício analítico firmemente por algumas semanas ou meses, a pessoa poderá substituir os hábitos que deseja eliminar por outros que acabam se tornando automáticos. Um bom processo terapêutico pode acelerar o autodesenvolvimento, assim como relações afetivas estáveis e gratificantes, programas de desenvolvimento gerencial, viagens, exposições internacionais, multiplicidade de interesses, teatro, cinema, lazer, etc. Ou seja, uma vida rica, estimulante e diversificada faz com que as pessoas se mantenham intelectual e emocionalmente ativas, felizes e saudáveis.

Se você pretende desenvolver um esforço pessoal para tornar-se um líder emocionalmente equilibrado, procure desenvolver as seguintes competências:

Autoconsciência: observar-se e reconhecer os próprios sentimentos; formar um vocabulário para os sentimentos; saber a relação entre pensamentos, sentimentos e reações.
Tomada de decisão pessoal: examinar suas ações e conhecer as conseqüências delas; saber se uma decisão está sendo governada por pensamento ou sentimento.
Lidar com sentimentos: monitorar a "conversa consigo mesmo" para surpreender mensagens negativas como repreensões internas; compreender o que está por trás de um sentimento; encontrar meios de lidar com medos e ansiedades, ira e tristeza.
Lidar com tensão: aprender o valor de exercícios e métodos de relaxamento.
Empatia: compreender os sentimentos e preocupações dos outros e adotar a perspectiva deles; reconhecer as diferenças no modo como as pessoas se sentem em relação a fatos e comportamentos.
Comunicações: falar efetivamente de sentimentos; tornar-se um bom ouvinte e perguntador; distinguir entre o que alguém faz ou diz e suas próprias reações ou julgamento a respeito; enviar mensagens do "Eu" em vez de culpar.
Auto-revelação: valorizar a franqueza e construir confiança num relacionamento; saber quando é seguro arriscar-se a falar de seus sentimentos.
Intuição: identificar padrões em sua vida e reações emocionais; reconhecer padrões semelhantes nos outros.
Auto-aceitação: sentir orgulho e ver-se numa luz positiva; reconhecer suas forças e fraquezas; ser capaz de rir de si mesmo.
Responsabilidade pessoal: assumir responsabilidade; reconhecer as conseqüências de suas decisões e ações; aceitar seus sentimentos e estados de espírito; ir até o fim nos compromissos.
Assertividade: declarar suas preocupações e sentimentos sem ira nem passividade.
Dinâmica de grupo: cooperação; saber quando e como conduzir e ser conduzido.
Solução de conflitos: saber lutar limpo com outras pessoas; adotar o modelo vencer/vencer para negociar acordos.

* Paulo César T. Ribeiro é psicólogo, consultor de empresas, “coach" e "headhunter", conceituado entre os melhores apresentadores por sua reconhecida experiência em treinamentos voltados ao comportamento gerencial e ao desenvolvimento de líderes, equipes e outros diversos temas. Diretor da CONSENSOrh.

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